CharleS Souza

Leis Econômicas



"As mesmas pessoas que menosprezam a Lógica, de um modo geral, também advertirão o leitor contra a Economia Política. Ela é insensível, dirão. Reconhece fatos desagradáveis. Da minha parte, a coisa mais insensível que conheço diz respeito à lei da gravidade: quebra o pescoço da pessoa mais bondosa e amável, sem o menor escrúpulo, se ela esquecer, por um único momento, de lhe dar a devida atenção. Os ventos e ondas também são bastante insensíveis. Você aconselharia aqueles que saem ao mar a negar a existência dos ventos e das ondas - ou a fazer uso deles, e encontrar os meios de se proteger contra seus perigos? Meu conselho é que estude os grandes autores da Economia Política, e se apegue firmemente a qualquer que seja a parcela de seus escritos que considere verdadeiro; e que tenha a convicção de que, se você não é egoísta e desumano, antes disso não será a Economia Política que fará com que você passe a sê-lo”.

                                                                                                               John Stuart Mill

Interessante este texto do Mill, filósofo e economista do século XIX, assim como estamos sujeitos à lei da gravidade e aos ventos, nos submetemos às leis econômicas. Trivialmente, o endividamento de um assalariado ao usar o limite do banco como fosse parte de sua renda, desconsiderando suas elevadíssimas taxas, o torna negligente em relação ao sistema financeiro e não uma vítima deste. O que diremos da Grécia com uma dívida aproximadamente de 350 bilhões de euros, decorrente, principalmente de elevados gastos públicos, hipertrofia do funcionalismo público e elevados salários. O endividamento em si não é necessariamente o problema, e sim o fato que as receitas dos helenos não acompanharam essas despesas  e sua dívida em relação ao PIB  ser 164%. Existem outros fatores, como sua irresponsável entrada na zona do euro baseada em manipulações contábeis, não me atrevo a discorrer sobre às tais. A grosso modo, a Grécia é semelhante ao assalariado endividado, ambos desconsideraram a que talvez seja a mais básica lei da economia: não contraia dívidas, a menos que possa pagá-las. 

"… as ideias dos economistas e dos filósofos políticos, tanto quando estão certos como quando estão errados, são muito mais poderosas do que normalmente se imagina. Na verdade, o mundo é governado quase que exclusivamente por elas. Homens práticos, que se julgam imunes a quaisquer influências intelectuais, geralmente são escravos de algum economista já falecido."                                                                                              

                                               John Maynard Keynes.